Sinópse
Makio Koudai sempre tocou a vida do jeito dela, sem dar muita bola pro que os outros acham. Tem poucos amigos, leva uma carreira estável como romancista, mas é bem na dela, fechada, e não liga muito pras regras sociais que todo mundo parece seguir no automático. Isso acabou pesando na relação com a irmã mais velha, Minori. As críticas constantes da Minori quando elas eram crianças foram cavando um buraco entre as duas, até virar um afastamento que ficou ali, firme, por anos.
Aos trinta e cinco anos, o mundo da Makio vira de cabeça pra baixo quando Minori e o marido morrem de repente num acidente. É nesse turbilhão que ela conhece, pela primeira vez, Asa Takumi, a sobrinha de quinze anos, perdida, sem saber direito que rumo tomar. Sem nenhum outro parente disposto a assumir a garota, Makio acaba acolhendo Asa em casa, mesmo cheia de reservas, sem muita certeza se consegue criar laço com alguém que, na prática, é quase uma desconhecida.
Asa, por sua vez, tenta digerir o luto pelos pais e o vazio que fica depois que eles se vão. A solidão pesa, e, ao mesmo tempo, pequenos vestígios da mãe vão aparecendo no dia a dia, guiando, em silêncio, o jeito como tia e sobrinha passam a conviver. São hábitos, lembranças, manias que vão moldando a rotina das duas, quase como se Minori ainda soprasse alguma coisa no ouvido delas.
Aos poucos, por meio da escrita e do desmanchar lento das ideias prontas que cada uma tinha sobre o que é “família”, Makio e Asa vão se enxergando de outro jeito. Entre tropeços, silêncios e conversas miúdas, elas aprendem a se entender e a se aceitar, cada qual do seu jeito, como se estivessem redesenhando o próprio mapa afetivo, traçando um caminho só delas.