Num mundo bem cômodo, em que máquina de venda automática parece que resolve tudo, o herói vai pegando o que precisa nessas máquinas ao longo da viagem pra encontrar o criador. Em certo momento, ele tenta comprar uma “Terra nova”, como se fosse só trocar um produto estragado por outro novinho em folha. Só que o criador recusa na hora e solta, sem rodeios, que não existe Terra de reposição, não tem planeta zero quilômetro esperando na prateleira.
Essa historinha, curtinha e direta, acaba revelando, por trás da aparente simplicidade, o abismo de desespero de Tezuka Osamu diante da destruição do nosso mundo. Em apenas quatro minutos, o filme joga na nossa cara que a Terra não é um item descartável de máquina automática, é única, e a conta do descaso já tá chegando pesada.
(Fonte original: notas da introdução do DVD “Tezuka The Experimental Films”, lançado pela Madman Films)