A umas duas horas de Tóquio fica o Hospital Kiyosato. É pra lá que o Shuji é mandado trabalhar depois que se forma em Medicina, só que o lugar carrega um peso enorme pra ele, porque o pai dele morreu ali mesmo, numa cirurgia, quando ele ainda tava na faculdade, e isso não sai da cabeça dele de jeito nenhum.
Na real, o que empurrou o Shuji pra virar médico foi justamente a morte do pai. Ele queria ter conhecimento suficiente pra cavar fundo e entender direitinho o que aconteceu naquela sala de operação. Só que já se passaram quase dez anos e, quanto mais ele tenta puxar o fio, mais ele dá de cara com parede, sem pista concreta, só frustração.
Quando ele finalmente se apresenta no Hospital Kiyosato, leva um choque ao descobrir que o Dr. Takao, o cirurgião que tava operando o pai dele no dia da morte, agora ocupa o cargo de vice-diretor do hospital. Como se não bastasse, no mesmo dia ele cruza com a Misako, a namorada que ele tinha na época da tragédia. O reencontro, que podia ser doce, vem com gosto amargo, porque o Shuji descobre que ela se casou com o próprio Dr. Takao, num contexto que cheira a coisa mal explicada.
A partir daí, o Shuji fica com a pulga atrás da orelha e resolve ir até o fim nessa história. Ele começa a cavar a vida e o passado do Dr. Takao, decidido a arrancar a verdade à força, se for preciso, e ainda por cima quer reconquistar a Misako, custe o que custar. É como se ele tivesse entrando num furacão de lembranças, culpa e desejo de vingança, disposto a atravessar o olho da tempestade pra, enfim, iluminar as sombras que cercam a morte do pai e o casamento suspeito que virou um nó na garganta dele.